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sábado, 4 de junho de 2011

Nous avons notre CSQ!!!

Estamos algumas dezenas de quilos mais leves hoje, hehe!! Fizemos nossa entrevista ontem com o M. Daniel LeBlanc. Vou tentar escrever aqui o nosso roteiro enquanto ainda consigo lembrar tudo o que aconteceu, foi muita emoção. Chegamos no dia anterior à entrevista em Sampa e ficamos no hotel Quality Berrini, que eu recomendo a todos. Não por ser um excelente hotel, porque até achamos caro para o que ele tem a oferecer, mas pela localização, que é em frente ao prédio onde fica o escritório de imigração Québec, bastando atravessar a rua. Quando soubemos da greve dos trens em São Paulo e quando houve um acidente que fechou a avenida Berrini na manhã do dia 3, não parávamos de agradecer o fato de que não iríamos precisar de transporte para chegar lá. Tomamos café da manhã com muita calma, após uma noite muito mal dormida (óbvio) e saímos às 9hs. Nossa entrevista era às dez, e o pessoal da recepção, como acontece com todos, nos avisou que só iríamos subir quando faltasse 15 minutos. Ficamos conversando dando voltas no quarteirão, o que nos ajudou a nos tranquilizar mais. Voltamos quando era exatamente 9:45 e subimos para a famosa sala de espera, com o showzinho da Celine Dion. O pessoal nos recebeu super bem, sorridentes e tranquilos, mas a partir daí o nervosismo veio. Fiquei com as mãos geladas e comecei a sentir um frio absurdo. O Felipe riu quando percebeu que eu estava quase batendo os dentes. Acabei rindo também e respirei fundo. Uma das pessoas que estava lá era o palestrante sobre a imigração que assistimos na Aliança Francesa e não conseguíamos lembrar o nome dele, acho que era M. Gilles. Acho que ele percebeu meu nervosismo e se aproximou perguntando algumas coisas para a gente em francês. Deu bom dia e perguntou para o Felipe qual era a formação dele. O Felipe respondeu que era biólogo e ele se virou e perguntou a mesma coisa para mim. Respondi arquiteta e ele perguntou em seguida qual era o meu problema. Fiquei sem entender e repeti: "problema?" Ele disse com relação à minha formação. Eu logo dei um "ah, sim, eu sei que preciso entrar no conselho de arquitetura para poder exercer". Ele sorriu e comentou que o Felipe não precisaria disso para a profissão dele e que estávamos preparados. Em seguida, ele foi para a sala dele e continuamos a aguardar. Somente às 10:15 a porta da sala do M. LeBlanc se abriu e saiu um casal bastante satisfeito, como o seu CSQ em mãos. Eles vieram nos cumprimentar e nos dar umas dicas, uma gracinha. Em seguida M. LeBlanc vem à porta e chama "Mme Silva?" Era essa a hora! Ele nos recebeu e logo dissemos que o Felipe era o terceiro da mesma família que ele iria entrevistar, meus dois cunhados já fizeram a entrevista e foram aprovados por ele. Ele riu e disse que iria ter que enviar a mãe também agora que os filhos estavam indo, foi ótimo para dar uma quebrada no clima. Sentamos e ele nos perguntou a nossa data de nascimento. Em seguida pediu nossos passaportes. Digitou algumas coisas no computador, e pediu nossas certidões de nascimento e casamento e se virou novamente para o micro. Enquanto isso, lembrei das sugestões de ficar falando enquanto ele se ocupava digitando e falei sobre a vista, nada original, porque sei que todos comentam sobre isso. Ele deu um leve sorriso e nem se virou para nós. Comentei sobre o frio, pois éramos de Brasília e Sampa está um pouco mais gelada, ele reagiu igual. Falei então que não podia reclamar se estava querendo ir para o Québec, que era só um pouco mais frio. Nisso ele riu mais, dizendo que era um pouco muito mais frio e se virou para nós para perguntar qual a cidade que queríamos ir. Respondemos que era Gatineau, onde já mora o irmão do Felipe. Ele falou que lá é frio também, apesar de ser menos que outras cidades. Aproveitamos a deixa e comentamos sobre o casal de canadenses que se hospedou conosco e que eram de Rimouski. Ele disse que lá sim era beeeem gelado. Falei então que o Benoît tinha nos dito para treinar morando um pouco na geladeira, mas nessa hora quem disse que eu lembrei como dizer geladeira, me deu um branco e travei! Virei para o Felipe atrás de um socorro e disse a ele em francês que tinha esquecido. O Felipe também não disse nada, então o M. LeBlanc, muito gentil, mudou de assunto. Perguntou sobre a comprovação de parentesco. Entregamos os documentos do meu cunhado Daniel e da Eliza e a declaração deles. Ele pediu então nossos diplomas e históricos. Pegamos e entregamos a ele. Nisso ele elogiou nossa organização, já que o que ele pedia nós entregávamos rapidamente, sem ter que procurar muito. Bendita dica sobra a pasta com divisórias!! Foi o momento que ele perguntou qual era a nossa motivação para ir para o Québec, enquanto digitava no computador. Respondi que não era somente pela qualidade de vida e segurança, mas pela experiência positiva do meu cunhado lá e que era um bom lugar para ter uma família pois pederíamos oferecer a nossos filhos a possibilidade de serem naturalmente trilíngues e terem um educação acessível e de qualidade, e que vimos no Benoît e na Émilie que os québecois são pessoas positivas e orgulhosas de sua origem e que pelo português e francês terem a mesma origem, iríamos nos adaptar com mais facilidade. Ele gostou da resposta, pois mesmo sem se virar para nós, sacudia a cabeça positivamente. O Felipe completou dizendo que comçaríamos nossa própria família lá. Era hora de mostrar nossos comprovantes de trabalho. Ele foi muito criterioso com isso, conferiu cada um. Olhou bem os que estava na carteira de trabalho e conferiu cada declaração que levamos com o que tínhamos escrito no nosso dossiê. Achei que foi bom ter reconhecido firma nas declarações dos nossos estágios, deu uma boa impressão. Nessa hora ele não achou o comprovante do estágio do Felipe no Dínatos. Comecei a procurar algum recibo de pagamento. Achei os mais recentes, depois dele ter sido efetivado, o M. LeBlanc falou que esses eram os atuais e o Felipe disse que estava na carteira, sim, e pegou para procurar. Ele achou e mostrou ao M. Leblanc, e eu estava tão entretida tentando achar algum documento que nem percebi, até ele mesmo me chamar sorrindo e dizer que o Felipe já tinha achado. Hehe, um momentinho de tensão. Mostramos nossos curriculuns e um modelo quebécois que eu tinha guardado e que iria usar para refazer os nossos no padrão deles. Ele gostou bastante e já deu algumas dicas de como melhorar esse modelo, o que já nos aliviou um pouco, pois não acho que ele iria nos mostrar como fazer nossos curriculuns melhores se não estivéssemos indo bem na entrevista. Ele me falou que tinha que enfatizar a parte técnica do meu trabalho, os softwares que eu sei usar, ets, pois ia ser um pouco difícil reconhecer meu diploma rapidamente, eu falei que sabia que iria exercer como técnica e completei algumas das coisas que ele dizia, mas sem interrompê-lo, o que ele achou legal, pois ele dizia "isso mesmo". Com relação ao Felipe, ele ficou super empolgado pelo fato dele ser professor, ele disse que tem alta demanda disso no Québec, a todo momento ele repetia que era ótimo, que ele podia já ir direto ao diretor das escolas falar da formação dele que ele poderia ser contratado. Ele disse que inclusive o cunhado dele é diretor de uma escola em Outouais e que tinha pedido a ele que caso entrevistasse alguém com experiência como professor, era para mandar direto para ele, hehe, foi bem legal essa parte. Ele viu que tinhamos levado as três apostilas do Québec de como poder entrar no conselho para exercer a profissão de arquiteto, de urbanista e como obter a permissão para ser professor pelo ministério da educação. Ele pegou da mesa essa última e começou a folhear. O Felipe, ao mesmo tempo, disse que sabia que deveria obter a permissão junto ao MELS para poder lecionar, e o M. LeBlanc disse "exatamente", bastante satisfeito, mas falou que ele poderia começar como professor substituto ao mesmo tempo que obtia a permissão, o que seria bem tranquilo. Após isso ele perguntou se tínhamos feito alguma pesquisa sobre a oferta de trabalho. Ele prestou muita atenção em cada uma que nós levamos. Mostrei as que achei como técnico em arquitetura e ele gostou. O Felipe tinha outras como técnico laboratorista e apenas duas como professor, e como lamentei porque tínhamos achado muuuitas ofertas para lecionar, mas não achei que seria bom levar, priorizamos as de técnico, e ele falou que aquelas não eram as melhores, que era para ele procurar nas escolas, pois poderia dar aula não somente de biologia, mas ciências também. Quando mostrei a ele nosso plano C, acho que não foi muito legal. Eram ofertas para trabalhar como vendedor, recepcionista, etc. e ele balançou a cabeça e disse que não, que era para nos focarmos porque tínhamos toda a capacidade de conseguir algo na nossa formação, acho que acabou demonstrando um pouco de falta de ambição da nossa parte, ele não curtiu muito, mesmo eu explicando que era última opção, caso fosse necessário obter mais fluência no francês e tals, mas ele repetiu que tínhamos uma formação boa. Depois disso ele pediu as nossas comprovações de francês. Quando eu estava pegando, não me lembro porque, ele perguntou o endereço do Daniel, se era em Hull ou em Gatineau mesmo. Falei que não lembrava, então pegamos a declaração dele novamente para ver. Nisso tirei o mapa de Gatineau e abri para conferirmos o endereço. M. LeBlanc deu uma risada e adorou termos o mapa à mão naquela hora (valeu, Daniel!!), foi bem legal. Achamos a rua e mostramos a ele. Entreguei nossas declarações de estudos na Aliança Francesa e perguntei se era preciso a comprovação de inglês também, ele disse que era bom e entreguei meu resultado do exame do Ielts. Ele se virou para o Felipe e perguntou ainda em francês qual era o nível de inglês dele. O Felipe respondeu quer era intermediário e bastou. Ele não perguntou nada para nós em inglês. Depois disso, ele pegou o famoso livreto "Apprendre Le Québec" e colocou a nossa frente. O coração disparou, tínhamos sido aprovados! A impressora começou a funcionar e ele colocou nossos CSQs na mesa para conferirmos os dados. Só consegui dizer um "merci" naquela hora, com os olhos no documento. Ele sorriu e pegou os papéis para assinar. Nos explicou sobre como fazer a francização online e como já entrar no emploiquebec.com com nossos curriculuns. Nos falou para procurarmos logo emprego para acelerarmos nosso processo. Nos levantamos e ele veio nos cumprimentar dizendo "Bienvenue au Québec". Foi muito emocionante. Repetiu mais uma vez para nos mantermos na nossa formação e nos acompanhou até a porta. Agradecemos novamente e saímos. Nossa entrevista tinha levado quase uma hora, mas não sentimos esse tempo passar, foi bem tranquilo. Dessa vez nós éramos o casal saindo da sala e encontrando os rostos ansiosos na sala de espera! Fizemos a mesma coisa, nos dirigimos até a mocinha que aguardava e dissemos a ela que o M. LeBlanc é muito educado e gentil, que tudo daria certo. Demos boa sorte e saímos aliviados e felizes. Ligamos para toda a família para dar as boas novas.
Queríamos dar entrada no processo federal no mesmo dia. Fizemos o check out, deixamos a bagagem no hotel e saímos para almoçar e pagar a taxa do federal. Fizemos hora até dar 15hs, que era o horário que tínhamos lido para entregar documentos no consulado, que é pertinho também do hotel. Nisso, uma decepção, o horário de 15 às 16hs é para receber passaportes e entrega de documentos é de 9 às 11hs, e somente de segunda a quinta-feira. Ou seja, mesmo que tivéssemos saído mais cedo, não poderíamos ter feito a entrega, pois era sexta.
Fiquei bem chateada, pois já estávamos com o dossiê pronto na nossa mão. Perguntei para a recepcionista se eu teria que voltar para Brasília para mandar o documento que estava na minhão mão pelo correio. Ela deu de ombros e disse que poderíamos procurar um despachante. Respirei fundo e começamos a pensar em alguma estratégia. Decidimos ir encontrar nossos amigos Sandro e Ualisson aqui em Sampa e depois pensar em como resolver isso.
Eles nos receberam suuuper bem, deu para dar uma boa relaxada e ainda estamos no dilema da entrega do nosso dossiê no consulado. Ainda não sabemos bem o que fazer. Por enquanto está vencendo a opção de ficar mais um dia para poder entregar na segunda... Vamos decidir e postar o que foi resolvido. No fim, já estamos com nosso pezinho no Québec de qualquer forma, pois sabemos que agora é só burocracia e tempo, momento de reflexão e paciência, muita paciência.
Ah, e para aumentar ainda mais as comemorações de hoje, nasceu a Lara, mais nova integrante da família, para marcar ainda mais esse fim de semana tão cheio de emoções na vida da titia, minha princesinha linda. Assim o coração não aguenta, rsrs! :D

2 comentários:

  1. Parabens querida, que mais essa vitoria...agora é aguardamos a parte federal passar bem rapidinho....já estou te seguindo

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  2. Olá, Vivs & Felps!
    Meu nome é Nilian e já "vi" a Vivs lá no Forum do CBQ. Como estou me preparando para a Entrevista no BIQ, juntamente com meu marido, ando lendo vários relatos nos diversos Blogs de pessoas gentis, como vcs, que dividem este processo conosco.
    Acabei de ler o Relato da Entrevista de vcs e bateu uma enooorme dúvida. Eu também tenho uma irmã que mora em Levis desde 2008 como Residente Permanente. Quando enviamos nosso dossiê, anexamos tbm o Formulário preenchido pela minha irmã e carimbado pelo Cartório de lá (Ela mandou pelo Correio), juntamente com comprovante de residencia e outros docs do marido e da filha. Mas, qdo li "Entregamos os documentos do meu cunhado Daniel e da Eliza e a declaração deles" me deu um certo pânico...rs O que seria essa Declaração????
    Poderia me esclarecer???
    E desde já, MUITO OBRIGADA!
    Abs
    Nilian
    brazucoise.wordpress.com

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