Amo meu país! Lindo, paradisíaco, clima incomparável. Deus sorriu muito quando fez este lugar, ninguém pode negar. Contudo, a cada dia que passa, sinto mais vontade de ir embora.. Não renego meu Brasil, tenho, sim, muito orgulho de ser brasileira, de fazer parte de um povo forte, trabalhador, feliz. É impressionante termos índices baixos de depressão se compararmos com outros países em desenvolvimento sendo que atualmente nos encontramos em segundo lugar em nível de estresse, perdendo somente para o Japão. Mas alguns fatos no dia a dia me fazem refletir.. Essa semana teve um dia em particular que me fez pensar muito.. Procuro sempre ir ao trabalho de metrô, não acho certo eu morar ao lado da estação, ter um cartão de transporte, poder contar com o ônibus da empresa para me levar da estação até à porta do trabalho e ainda assim pegar o carro para encher o tráfego poluir a cidade, além de gastar combustível (mas, quando estou de saco cheio de me espremer nos vagões lotados, admito que uso o carro, sim). Neste dia, eu estava indo ao trabalho de metrô. No horário que eu pego, perto das 8 horas da manhã, é grande o fluxo de pessoas, portanto, temos que nos apertar para seguir viagem. Estávamos todos em pé tentando agarrar o que desse para ter algum apoio, quando um adolescente se sentiu no direito de sentar no chão, ocupando uma área consideravelmente maior para se acomodar enquanto nos obrigava a nos espremer mais. Um dos usuários, mais velhos, começou a confrontá-lo.. Claro que um bate boca mal educado começou. Nauseada, fiquei me consolando.. é normal esses adolescentes serem tão mal educados, blá blá blá... ignorei aquela bagunça. Descemos na estação central e fui para a fila onde se encontravam já considerável número de funcionários aguardando o ônibus da Câmara. Permaneci ali olhando as pessoas, naquele corre-corre de todas as manhãs, com o pensamento bem longe. Logo me chamou a atenção um motorista que estava por perto, comendo qualquer coisa. Fiquei observando. Ele terminou de comer o lanche a fez uma bola com os guardanapos. Procurei uma lixeira e vi que a cerca de 6 metros havia uma bem grande, na quina de uma das lanchonetes. Voltei meu olhar para o senhor que ainda segurava a bolinha na mão. Ele percebeu que eu observava e disfarçou. Começou a caminhar em direção ao ônibus e logo se livrou discretamente do papelzinho, que ficou jogado logo ali, a uns metros da lixeira. Peraí, o que houve? Qual foi o raciocínio? É óbvio que a rodoviária nunca foi um exemplo de limpeza, mas... a lixeira estava logo ali... não entendi... Ah, é... ela foi se juntar às outras milhares de bolinhas, copinhos, papéis, bitucas, que estavam pelo chão... Sim, é normal, por um minuto esqueci... O ônibus chegou! A fila era única, e o motorista parou o ônibus com a porta da frente perante nós. Às vezes, tem pessoas que também pegam o ônibus vindo da Câmara, o que faz com que se abram as duas portas laterais do veículo para que os passageiros que estão vindo desçam mais rapidamente. Tudo certo, começamos a entrar, quando algumas pessoas do final da fila correm para entrar pela porta central do ônibus para, certamente, não perder o assento, tendo em vista a quantidade de pessoas à sua frente. Mas, calma aí, eu não tinha chegado primeiro? Por que eles se sentiram no direito de passar quem estava à frente? .... normal.. Será? Quem faz as coisas da forma correta se sente passado para trás? Meu dia já estava estragado de qualquer forma.. Nos dias seguintes explode a violência contra o tráfico no rio... Imagens que brasileiro nenhum vai esquecer. Machuca, e como machuca, perceber que imigrar pode ser um forma de oferecer uma vida melhor aos nossos filhos. É claro que não me iludo pensando que não existe gente mal educada e porca ou violência lá fora, é claro que existe, mas é diferente. Diferente porque lá eles não estão calejados como nós, não estão vivenciando isso todos os dias. Não é normal. Não posso deixar de admitir que entendo todos que tem a vontade de ir e todos que foram e não querem mais voltar, hoje, mais do que nunca.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Brasil...
Amo meu país! Lindo, paradisíaco, clima incomparável. Deus sorriu muito quando fez este lugar, ninguém pode negar. Contudo, a cada dia que passa, sinto mais vontade de ir embora.. Não renego meu Brasil, tenho, sim, muito orgulho de ser brasileira, de fazer parte de um povo forte, trabalhador, feliz. É impressionante termos índices baixos de depressão se compararmos com outros países em desenvolvimento sendo que atualmente nos encontramos em segundo lugar em nível de estresse, perdendo somente para o Japão. Mas alguns fatos no dia a dia me fazem refletir.. Essa semana teve um dia em particular que me fez pensar muito.. Procuro sempre ir ao trabalho de metrô, não acho certo eu morar ao lado da estação, ter um cartão de transporte, poder contar com o ônibus da empresa para me levar da estação até à porta do trabalho e ainda assim pegar o carro para encher o tráfego poluir a cidade, além de gastar combustível (mas, quando estou de saco cheio de me espremer nos vagões lotados, admito que uso o carro, sim). Neste dia, eu estava indo ao trabalho de metrô. No horário que eu pego, perto das 8 horas da manhã, é grande o fluxo de pessoas, portanto, temos que nos apertar para seguir viagem. Estávamos todos em pé tentando agarrar o que desse para ter algum apoio, quando um adolescente se sentiu no direito de sentar no chão, ocupando uma área consideravelmente maior para se acomodar enquanto nos obrigava a nos espremer mais. Um dos usuários, mais velhos, começou a confrontá-lo.. Claro que um bate boca mal educado começou. Nauseada, fiquei me consolando.. é normal esses adolescentes serem tão mal educados, blá blá blá... ignorei aquela bagunça. Descemos na estação central e fui para a fila onde se encontravam já considerável número de funcionários aguardando o ônibus da Câmara. Permaneci ali olhando as pessoas, naquele corre-corre de todas as manhãs, com o pensamento bem longe. Logo me chamou a atenção um motorista que estava por perto, comendo qualquer coisa. Fiquei observando. Ele terminou de comer o lanche a fez uma bola com os guardanapos. Procurei uma lixeira e vi que a cerca de 6 metros havia uma bem grande, na quina de uma das lanchonetes. Voltei meu olhar para o senhor que ainda segurava a bolinha na mão. Ele percebeu que eu observava e disfarçou. Começou a caminhar em direção ao ônibus e logo se livrou discretamente do papelzinho, que ficou jogado logo ali, a uns metros da lixeira. Peraí, o que houve? Qual foi o raciocínio? É óbvio que a rodoviária nunca foi um exemplo de limpeza, mas... a lixeira estava logo ali... não entendi... Ah, é... ela foi se juntar às outras milhares de bolinhas, copinhos, papéis, bitucas, que estavam pelo chão... Sim, é normal, por um minuto esqueci... O ônibus chegou! A fila era única, e o motorista parou o ônibus com a porta da frente perante nós. Às vezes, tem pessoas que também pegam o ônibus vindo da Câmara, o que faz com que se abram as duas portas laterais do veículo para que os passageiros que estão vindo desçam mais rapidamente. Tudo certo, começamos a entrar, quando algumas pessoas do final da fila correm para entrar pela porta central do ônibus para, certamente, não perder o assento, tendo em vista a quantidade de pessoas à sua frente. Mas, calma aí, eu não tinha chegado primeiro? Por que eles se sentiram no direito de passar quem estava à frente? .... normal.. Será? Quem faz as coisas da forma correta se sente passado para trás? Meu dia já estava estragado de qualquer forma.. Nos dias seguintes explode a violência contra o tráfico no rio... Imagens que brasileiro nenhum vai esquecer. Machuca, e como machuca, perceber que imigrar pode ser um forma de oferecer uma vida melhor aos nossos filhos. É claro que não me iludo pensando que não existe gente mal educada e porca ou violência lá fora, é claro que existe, mas é diferente. Diferente porque lá eles não estão calejados como nós, não estão vivenciando isso todos os dias. Não é normal. Não posso deixar de admitir que entendo todos que tem a vontade de ir e todos que foram e não querem mais voltar, hoje, mais do que nunca.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário